Monday, November 28, 2011


 PAUS - PAUS (2011)

PAUS (mesmo assim, escreve-se com letras maiúsculas, à patrão) é um disco voador de difícil identificação, tal como a banda em si o é, mas vamos por partes. Caso o leitor esteja adormecido nos últimos tempos (sensivelmente nos últimos dois anos) e nunca tenha ouvido falar dos PAUS fazemos primeiramente um ponto de situação.
PAUS é um colectivo de distintos membros de bandas como Linda Martini, If Lucy Fell, Riding Pânico e The Vicious Five – uma liga extraordinária de cavalheiros constituída por Makoto Yagyu no baixo, João “Shela” Pereira nas teclas, Hélio Morais e Joaquim Albergaria na bateria. Leu bem, na bateria, pois a bateria dos PAUS é siamesa. Hélio e Joaquim partilham uma bateria 2 em 1, ou seja, duas baterias agarradas pelo mesmo bombo, algo de grande impacto visual e auditivo, sobretudo ao vivo, onde o grupo tem feito enorme sucesso e criado um passa a palavra desgraçado. Quando antes se perguntava a um amigo se ele já viu PAUS ao vivo agora deve-se perguntar quantas vezes ele já assistiu a um espectáculo de PAUS, pois eles andam por aí fora a mostrar a razão de todo o hype gerado à volta deles, e infeliz é aquele que ainda não aproveitou essa oportunidade.
Todo o burburinho surgiu graças a um sensacional EP chamado “É Uma Água”, que só pecava por ser escasso na duração e por cansar lá pelas 50 audições. Começaram logo a surgir comparações e classificações. Alguns apontaram que eram os Battles portugueses, outros disseram que era o choque e a fusão de Brian Wilson e Syd Barrett, num estilo “cock-prog”. Se já reparou voltamos ao ponto inicial, onde versávamos sobre a dificuldade de classificações dos PAUS. É no entanto uma questão falsa. Como os próprios indicam, PAUS é simplesmente o resultado de quatro amigos que se juntam para se divertirem, tocando os instrumentos e bebendo umas cervejas. Não há lugar para conceitos ou razões (como se pode constatar pelas estranhas letras dos temas), é diversão pura, e é isso mesmo que o ouvinte agradece, pois diverte-se tanto ou mais que eles.
PAUS é uma obra que não defrauda as expectativas criadas em sua volta, é um disco voador que aterra sem autorização no nosso quintal, como o motor de avião que cai no quarto de Donnie Darko. Trata-se de um disco de uma energia avassaladora, primitivo na sua força mas avançado na sua composição e rigor. Ele atropela-nos logo desde os segundos iniciais com um baixo de proporções industriais e teima em continuar assim em temas como “Língua Franca” (soa a Tool em dose de LSD) ou o mega headbanging de “Ocre”. O single “Deixa-me Ser” levanta os mortos para uma dança em cima do caixão e “Descruzada” parece clamar pela chuva no meio do deserto. “O que queres que diga que estes tambores não digam já?” é a pergunta retórica que os PAUS nos fazem logo no começo no disco no excelente “Ouve Só”, e é muito bem apontado: quando a musica é assim tão boa e soa assim tão bem, o que interessa falar sobre ela? “O que queres ouvir é o que estás a sentir”. Toca a ouvir caro leitor.