Monday, December 26, 2011


JANE’S ADDICTION – THE GREAT ESCAPE ARTIST


Pergunta inicial (para 25 euros) no concurso Quem Quer Ser Milionário:
O que têm os Jane’s Addiction, os Faith No More, os Smashing Pumpkins e os Soundgarden em comum?
A)   São nomes de epidemias
B)   São marcas de iogurte
C)   São nomes de livros de sagas de vampiros
D)   São bandas de rock alternativo que fizeram sucesso nos anos 90 e que regressaram no séc. XXI para viver da glória do passado
Pois, está correcto o leitor. É a opção D. Todos estes conjuntos encostaram os instrumentos e os microfones, até que se cansaram da reforma e de projectos paralelos e voltaram à carga, imaginando que a música dos anos 90 ainda era rentável (ou que alguém tinha de ter o trabalho sujo de salvar a música actual – é tudo uma questão de perspectiva). Alguns destes nomes até ousaram editar novos álbuns, como é este o caso, que nos reúne aqui.    
The Great Escape Artist é o quinto álbum oficial (quarto de estúdio) da banda, e o segundo álbum de regresso, oito anos passados desde Strays. É um esforço de rejuvenescimento do som do grupo, que conta com o baixista original (Eric Avery), depois de anos com baixistas substitutos (como Flea) e com colaborações de pessoas como Dave Sitek (TV On The Radio) ou Duff McKagan (Guns N’ Roses).
É um trabalho que começa bem com “Underground” e “End To Lies” – com a dose certa da guitarra virtuosa de Dave Navarro, do toque de classe de Avery e o circo habitual do vocalista Perry Farrell, que parece mais contido e menos à vontade neste disco. No entanto, as coisas vão esmorecendo um pouco mais à frente, graças à produção melosa de Rich Costey (Muse) e às texturas de Sitek (atmosféricas em demasia) que adormecem o ouvido. Os Jane’s em toda a excentricidade que lhes é característica, parecem aqui um leão domado para infelicidade do público. Só lá para o fim com o (tão triste que é belo) tema “Broken People” e com o desenfreado “Words Right Out Of My Mind” é que o Jane’s soam carismáticos e nos fazem acreditar de novo neles.
The Great Escape Artist tenta ser um álbum arty e não um disco rock. O grupo quer se actualizar e acompanhar as bandas como os Muse e os Radiohead, como o próprio Perry Farrell confessa em entrevistas, olhando para o futuro e não para o passado (fugindo deste, daí o título do álbum). O que parece perdido no meio das intenções é o arrojo da música da banda, o seu ritmo entusiasmante, a sua alegria, a sua sensualidade – basicamente a razão de ser do grupo. Permitam-me uns trocadilhos finais com os títulos dos álbuns da banda, mas desta vez não há fuga possível para os Jane’s Addiction: os dias gloriosos de Nothing’s Shocking e de Ritual de lo Habitual já vão longe. Hoje os Jane’s já não conseguem ser divertidos e não conseguem chocar em nada, pelo contrário, a continuar assim serão muito habituais, serão só mais uma banda, e para isso não vale a pena o esforço. Mais vale ficar em casa parado a ver concursos na TV.