Tuesday, December 27, 2011

Ficha nº 586  27 Dez

OS MELHORES ALBÚNS DE 2011 NESTE PROGRAMA

M83 - My Tears Are Becoming a Sea - Hurry Up, We're Dreaming
Atlas Sound - Amplifiers - Parallax
Cults - You Know What I Mean - Cults
Girls - Honney Bunny - Father, Son, Holy Ghost
Stephen Malkmus & the Jicks - Tigers - Mirror Traffic
PJ Harvey - The Last Living Rose - Let England Shake
Yuck - Suicide Policemen - Yuck
Skeletons - No - People
You Can't Win, Charlie Brown - Green Grass #2 - Chromatic
PAUS - Deixa-me Ser - PAUS
The Allstar Project - Neighbour of the Beast
Tom Waits - Chicago - Bad As Me
Alvarus B - Dead Girls - Baroque Primitiva
Bon Iver - Lisbon, OH - Bon Iver, Bon Iver
Beirut - The Peacock - The Rip Tide
Arbouretum - The Highwayman - The Gathering
Panda Bear - You Can Count On Me - Tomboy
The Antlers - I Don't Want Love - Burst Apart
Cut Copy - Strange Nostalgia For The Future - Zonoscope
Grails - Daughters of Bilitis - Deep Politcs
Mastodon - Blasteroid - The Hunter
The Black Keys - Money Maker - El Camino
Kimmo Pohjonen & Kronos Quartet - Uniko III:Sarma - Uniko
Russian Circles - Praise Be Man - Empros

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Monday, December 26, 2011


JANE’S ADDICTION – THE GREAT ESCAPE ARTIST


Pergunta inicial (para 25 euros) no concurso Quem Quer Ser Milionário:
O que têm os Jane’s Addiction, os Faith No More, os Smashing Pumpkins e os Soundgarden em comum?
A)   São nomes de epidemias
B)   São marcas de iogurte
C)   São nomes de livros de sagas de vampiros
D)   São bandas de rock alternativo que fizeram sucesso nos anos 90 e que regressaram no séc. XXI para viver da glória do passado
Pois, está correcto o leitor. É a opção D. Todos estes conjuntos encostaram os instrumentos e os microfones, até que se cansaram da reforma e de projectos paralelos e voltaram à carga, imaginando que a música dos anos 90 ainda era rentável (ou que alguém tinha de ter o trabalho sujo de salvar a música actual – é tudo uma questão de perspectiva). Alguns destes nomes até ousaram editar novos álbuns, como é este o caso, que nos reúne aqui.    
The Great Escape Artist é o quinto álbum oficial (quarto de estúdio) da banda, e o segundo álbum de regresso, oito anos passados desde Strays. É um esforço de rejuvenescimento do som do grupo, que conta com o baixista original (Eric Avery), depois de anos com baixistas substitutos (como Flea) e com colaborações de pessoas como Dave Sitek (TV On The Radio) ou Duff McKagan (Guns N’ Roses).
É um trabalho que começa bem com “Underground” e “End To Lies” – com a dose certa da guitarra virtuosa de Dave Navarro, do toque de classe de Avery e o circo habitual do vocalista Perry Farrell, que parece mais contido e menos à vontade neste disco. No entanto, as coisas vão esmorecendo um pouco mais à frente, graças à produção melosa de Rich Costey (Muse) e às texturas de Sitek (atmosféricas em demasia) que adormecem o ouvido. Os Jane’s em toda a excentricidade que lhes é característica, parecem aqui um leão domado para infelicidade do público. Só lá para o fim com o (tão triste que é belo) tema “Broken People” e com o desenfreado “Words Right Out Of My Mind” é que o Jane’s soam carismáticos e nos fazem acreditar de novo neles.
The Great Escape Artist tenta ser um álbum arty e não um disco rock. O grupo quer se actualizar e acompanhar as bandas como os Muse e os Radiohead, como o próprio Perry Farrell confessa em entrevistas, olhando para o futuro e não para o passado (fugindo deste, daí o título do álbum). O que parece perdido no meio das intenções é o arrojo da música da banda, o seu ritmo entusiasmante, a sua alegria, a sua sensualidade – basicamente a razão de ser do grupo. Permitam-me uns trocadilhos finais com os títulos dos álbuns da banda, mas desta vez não há fuga possível para os Jane’s Addiction: os dias gloriosos de Nothing’s Shocking e de Ritual de lo Habitual já vão longe. Hoje os Jane’s já não conseguem ser divertidos e não conseguem chocar em nada, pelo contrário, a continuar assim serão muito habituais, serão só mais uma banda, e para isso não vale a pena o esforço. Mais vale ficar em casa parado a ver concursos na TV.

Friday, December 23, 2011

Thursday, December 22, 2011

Ficha nº 585  20 Dez

Arms - Emily Sue Cont'd
Guided By Voices - Doughnut For A Snowman
The Black Keys - Dead And Gone
B Fachada - Está Na Hora Da Passa
PAUS - Descruzada
The Roots - I Remember
Jónsi - We Bought A Zoo
*Shels - Vision Quest
Russian Circles - Batu
Don Caballero - Puddin In My Eye
Jane's Addiction - Broken People
Wilco - Dawned On Me
Have A Nice Life - Holy Fucking Shit: 40.000

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Thursday, December 15, 2011


Por motivos alheios a este programa não houve emissão na passada terça-feira, pelo facto pedimos desculpa.
For reasons unkown to this program there was no show last Tuesday, for that we are sorry.


Tom Waits – Bad As Me (2011)


Um dos corações ébrios e uma das almas inquietas mais respeitadas do mundo da música está de volta. Dispensando apresentações, Tom Waits, um dos nossos avôs cantigas preferido, regressou com este trabalho intitulado Bad As Me. Isto só de si constitui uma boa notícia, mas o que o leitor quer mesmo saber, ao espreitar este texto, é se este regresso vale a pena (se está a altura do espólio de obras construído até à data) ou se ele é mau como o nome indica. Não vale a pena criar suspense e dar a solução às escondidas mais para a frente algures, entre as floridas linhas desta crítica. A resposta é simples e sai de seguida: sim, ele é bom.
Bad As Me é a primeira colecção de material novo em sete anos (não contamos com o triplo álbum de temas perdidos Orphans: Brawlers & Bastards) mas tem na sua génese os suspeitos do costume: Keith Richards, Flea, Marc Ribot, David Hidalgo e, sobretudo, Kathleen Brennan, a sua esposa – parceira habitual de Waits no crime da composição e produção.
Se Bad As Me fosse um vinho seria certamente um vinho do Porto. Waits envelheceu bem e entre devaneios (ouça o tema inicial “Chicago”) e baladas (escute o mariachi de “Back In The Crowd”) Bad As Me soa selvagem e doce ao mesmo ao tempo. É um álbum que se bebe de um trago, cria euforia nos sentidos e suscita alguns calafrios de tontura. Por vezes parece que estamos num filme de Fellini ou de Kusturica, o álbum é estranho (como Waits bem nos habituou), mas a curta duração dos temas e o seu acerto nunca nos deixa mal dispostos: ficamos antes constantemente naquele estado ideal, de bem-estar inocente.  
Tom Waits revisita os seus lugares comuns – o amor, o desejo, o lamento, a liberdade (atente a “Get Lost”) – e as suas sonoridades características – o experimentalismo, o rhythm & blues, o jazz, o rockabilly, folk. A novidade na bela receita da sua bebida parece ser a voz: ele puxa por esta como se puxa pela última gota no fundo da garrafa (os falsetes acompanhados de ska em “Talking at the Same Time” estão aí para comprovar o que digo), usando-a ao mesmo tempo como um dócil veículo de destilação para corações solitários (em “Pay Me”).
Bad As Me leva o mesmo carimbo que as dezenas de álbuns anteriores de Tom Waits. É um sabor do passado mas que possui, ao mesmo tempo, um gosto fresco, a presente, como se existisse um Porto vintage do século XXI. "Well it’s hard times for some, for others it’s sweet, someone makes money when there’s blood in the street...well we bailed out all the millionaires, they got the fruit, we got the rind”: estas são frases intemporais, mas parecem que nunca fizeram tanto sentido como agora. O seu autor também não é de agora mas de sempre, um músico intemporal que não cansa e que não sabe fazer música má. No final de contas Tom Waits não é assim tão mau como pensa.

Monday, December 12, 2011

Wednesday, December 07, 2011

Ficha nº 584  6 Dez

*Shels - Butterflies On Luci's Way
Spacemen 3 - Revolution
The Black Keys - Lonely Boy
Gorillaz - Clint Eastwood
The Smashing Pumpkins - Disarm (acoustic mix)
The Go-Betweens - Love Goes On!
Calexico - Detroit Steam
David Lynch - The Night Bell With Lightning
The Roots - Make My
Meu Melro - Dois Sujos
Philip Glass - Cloudscape
Irons/Pulling Teeth - Sky Funeral
Eluvium - In Culmination

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Tuesday, December 06, 2011


RUSSIAN CIRCLES – EMPROS (2011)

 
Acontece algumas vezes. Neste caso bastante cedo. Chegando aos 6 minutos e 50 segundos de “Mlàdek”, o segundo tema de Empros, está já o caldo entornado. O trabalho de um crítico torna-se complicado quando ele tem de dar o braço a torcer à banda em questão, por não encontrar palavras para traduzir o que sente, e só lhe resta pescar na sua cabeça por adjectivos, mas os únicos que lhe ocorrem são todos redundantes, como os mais que batidos genial, fenomenal ou extraordinário. Por isso preparo o leitor/ouvinte apenas para esse momento: baixe o volume da sua aparelhagem, e tenha extra cuidado se estiver a conduzir, pois a tempestade sonora vai ser brutal (perdoe-me de novo a redundância). “Mlàdek” advém de Tomas Mlàdek, o condutor de autocarro na tour europeia deste bravo trio de mosqueteiros de Chicago. Curiosamente tem um início quase que à Broken Social Scene, e vai culminar numa erupção como já não ouvíamos desde os 9 minutos e 25 segundos de “Ghost Trail” dos Cult Of Luna.
Já o tema de abertura, “309”  – o mais cru e visceral do álbum – coloca o ouvinte em sentido, e vai ao encontro da descrição do press release do disco: “o álbum mais pesado dos Russian Circles até à data”. A intenção da banda era tecer em Empros a mesma intensa teia sonora que caracteriza os seus concertos, com dinâmicas mais construtivas e pontes dramáticas entre as músicas. O objectivo foi claramente atingido. Em Empros os temas sucedem-se graciosamente, como um livro que se desfolha lentamente, uma página que dá lugar a outra, tão cativante e fascinante como a anterior. Tudo nele foi escrito e desenhado ao pormenor. Luz e trevas, belo e sombrio, tudo se balanceia num Yin e Yang perfeito.
“Schipol” é a benção dos raios solares depois do dilúvio, e as cordas da passagem para “Atackla”  a silenciosa batalha de um alpinista entre a neve feroz. “Batu” testemunha o talento do baterista Dave Turncrantz e “Praise Be Man” com o baixista Brian Cook na voz, fecha o disco em beleza, como alguém que entrou no escuro de um túnel e à sua saída encontrou, nada mais nada menos, que a redenção.
Empros, à semelhança do seu belíssimo antecessor Geneva (de 2009) foi produzido por Brandon Curtis (produtor dos Interpol). Não é tão imediato como Geneva, mas levanta a fasquia ao fundir a precisão ganha no seu predecessor, a fúria dos primeiros trabalhos e uma nova aura de mistério que certamente os caracterizará no futuro. Empros é o quarto e mais novo filho dos Russian Circles, e quer ser o menino bonito, o melhor deles todos até agora. O seu nome vem do grego, significando algo como em frente, e este é, sem margens para qualquer dúvida, um passo em frente para os Russian Circles: um pequeno passo para uma banda (que ao contrário do que o nome indica nunca andou aos círculos mas sempre em frente) e um grande passo para a humanidade amante de boa música.